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Obesidade como fator de risco para o AVC

Não importa qual índice utilizado: a obesidade é fator de risco para o AVC isquêmico

Segundo trabalho publicado na revista Stroke, em 21 de janeiro de 20101 (Stroke 2010; DOI: 10.1161/STROKEAHA.109.566299. disponível no link: http://stroke.ahajournals.org. ), a obesidade continua sendo um grande fator de risco para o AVC, não importando o índice com que se defina o obesidade: índice de massa corporal (BMI), circunferência da cintura ou o índice cintura/quadril.

Segundo um dos autores do trabalho Dr Hiroshi Yatsuya, este foi o primeiro estudo a mostrar, de maneira convincente, que a obesidade é uma fator de risco significativo para o AVC, tanto em brancos como em negros. Isto vem reforçar o fato já conhecido que ao se controlar a obesidade, prevenimos o aparecimento da hipertensão e do diabetes, como também reduzimos o risco para os acidentes vasculares cerebrais.

O estudo contou com 15.549 participantes (5.930 homens e 7.619 mulheres: 3.694 indivíduos da raça negra e 9.855 indivíduos da raça branca), com idade que variava de 46 a 64 anos, provenientes de quatro regiões diferentes do grupo do estudo ARIC (Atherosclerosis Risk Communities). Os participantes foram submetidos a medidas de obesidade na linha de base e foram acompanhados desde o ano de 1987 até o ano de 2005. Durante este seguimento foram registrados 598 eventos de acidentes vasculares cerebrais isquêmicos, confirmados pelos prontuários hospitalares e exames de imagem. Os indivíduos da raça negra apresentaram uma maior incidência de AVC (2 a 3 vezes maior) que os brancos nos grupos de obesidade.

Os pesquisadores calcularam a incidência de AVC, em relação com a obesidade, utilizando os três índices acima citados. Para o índice BMI, verificou-se que a incidência por 1.000 indivíduos por ano foi de 1,2 para as mulheres brancas (na categoria mais baixa) e 8,0 para os homens negros na categoria mais alta.

Quando se tomava a circunferência da cintura como medida da obesidade, a taxa de AVC mostrou números semelhantes: incidência mais baixa (1,1 por 1.000 pessoas/ano para mulheres brancas) e incidência mais alto (8,2 por 1.000 pessoas/ano para homens negros).

Para o índice cintura/quadril a incidência mais baixa foi entre mulheres brancas (1,1 para 1.000) e o índice mais alto foi entre mulheres negras (8,2 por 1.000 pessoas/ano).

Qualquer que fosse o índice utilizado para se medir a obesidade, os resultados mostraram que o risco de AVC era cerca de duas vezes maior na categoria mais alta quando comparada com a categoria mais baixa. Por exemplo, quando se tomava o índice BMI o risco dos pacientes na categoria mais alta de 1,4 a 2,1 maior que os pacientes da categoria mais baixa (com pequenas variações quando se levava em conta raça e sexo). Os autores acreditam que a associação entre obesidade e AVC, pode ser explicada pela presença de diabetes e hipertensão (fatores de risco bem estabelecidos na gênese do acidente vascular.

Devido a facilidade de uso o BMI continua sendo um dos índices mais ulitilizados pelos clínicos para a quantificação da obesidade, pois muitas vezes não é facil adquirir os outros dois índices: circunferência da cintura ou o índice cintura/quadril.

A bibliografia abaixo mostra o trabalho desta sinopse e mais dois trabalhos sobre obesidade como fator de risco.


Referências bibliográficas:

  1. Yatsuya H, Folsom R, Yamagishi K, et al. Race- and Sex-Specific Associations of Obesity Measures With Ischemic Stroke Incidence in the Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) study. Stroke 2010; DOI: 10.1161/STROKEAHA.109.566299. Available at: http://stroke.ahajournals.org.
  2. Suk SH, Sacco RL, Boden-Albala B, et al. Abdominal obesity and risk of ischemic stroke: the Northern Manhattan Stroke Study. Stroke 2003; 34:1586-1592.
  3. Sacco RL, Khatri M, Rundek T, et al. Improving global vascular risk prediction with behavioral and anthropometric factors. The multiethnic NOMAS (Northern Manhattan Cohort Study). J Am Coll Cardiol 2009; 54:2303-2311.